Desafios do novo ‘ensinar’ – opinião

Escolas e professores e países que não se adaptam à novidade educacional, por menos romântico que isso possa parecer, representam atraso, perturbam e impedem a evolução natural de nosso ato de aprender e socializar saberes e aprendizado. É como hospitais e médicos que se recusam a inovar com as descobertas da ciência.

Não se trata do amor e nem da alegria em ensinar (isso de fato é até romântico e todo professor e ambiente escolar deve cultuar e ter desde sempre), trata-se mesmo de potencializar essa alegria e materializar esse amor de forma que toda cognição possa ser explorada e todo saber possa ser libertador. Entrar em uma sala de aula hoje em dia e encontrar professores rodeados por tecnologias e ferramentas sem conseguir utilizá-las é como entrar em uma fábrica de chocolate dos sonhos com mãos atadas e boca costurada. É inquietante! Dá vontade de reinventar a roda. Ou, mais objetivamente, encontrar alunos cuja única atividade feita com um tablete ou mesmo um computador em sala de aula é acessar um dicionário ou exercícios online orientado pelo professor é como encontrar alguém que só utiliza lápis para encher e colorir a bolsa. Melhor seria voltar para o quadro com giz, papel e caneta. Para que investir em mais do que isso? Se a escola dispõe de novidade, que se faça bom uso dela. Olha quanta oportunidade que não deve ser desperdiçada.

O sistema educacional hoje e seus autores não podem não trabalhar com exploração de letramento através de fotos, vídeos, sons, jogos, ensino on e off line (os chamados blended learning que ousarei traduzir aqui como aprendizado misto que permite hoje em dia o que há de mais interessante na relação homem-aprendizado-ferramenta virtual-homem).  O ensino misto permite acesso personalizado, rotativo e flexível à diversidade de alunos e conteúdos, além de serem ou terem o dever de serem democráticos, portanto merecem atenção especial do professor.

Quando um professor que trabalha em condições arcaicas em escolas escondidas nos rincões isolados e empobrecidos desse mundo não possui um email e revela não entender nada de internet, não há porque se tomar susto. A situação está absolutamentetecnologia-na-educacao_01 justificada. Como fazê-lo quando mal se pode ter voz para transmitir conhecimento. No entanto, o que dizer quando ouvimos isso de professores que trabalham em centros urbanos e estão rodeados de oportunidades para descobrir e aprender esse novo mundo e não o fazem? O que dizer de escolas que investem em inúmeras ferramentas educacionais, mas não investem em seu maior capital, o humano, o professor, de forma a capacita-lo para ser o melhor professor? Tudo acaba se refletindo no desencontro entre o mundo do aprendiz (que é vivo, dinâmico e conectado) e o mundo de quem ensina, desplugado. Inquietante e desmotivante para todos.

Os autores e atores desse novo mundo não podem não oferecer esforço suficiente para conectar de forma significante o que se lê nos conteúdos acadêmicos das escolas (geografia, linguas, química, arte…) e o que a vida oferece e exige de toda a gente. Todo aluno percebe uma aula mal preparada, um professor desatualizado e uma escola só de fachada. Todo professor gosta de ser bom. Então que seja o melhor!

Você é professor? Já tem um email? Sabe o que é letramento digital? Cidadania digital? Reconhece o que são redes sociais? Faz uso de alguma? Utiliza ferramentas de acesso extraclasse para continuação e manutenção de aprendizado? O máximo que você tem feito é esperar que alguém lhe diga o que fazer? Sua escola nunca treinou ninguém para lidar com as novas tecnologias do ensino, embora tenha muitas? Isso tudo parece muita coisa? De fato é muita coisa para deixar para depois. A melhor forma de começar é do princípio. O tempo passa rapidamente e se você ainda não está convencido de que as coisas mudaram, inscreva-se em um curso com bons professores e alunos um pouco mais jovens que você para ver como as coisas acontecem do lado daqui, do ponto de vista do mundo dos alunos. Professores não vão desaparecer, o que vai desaparecer é gente que não quer aprender a ensinar a aprender.

Somos eternos aprendizes. Precisamos sempre aprender a ensinar, ou apreender o novo para lidar com um objetivo bem tradicional em nossa profissão, o ensinar a aprender, a libertar a mente para curiosidades epistemológicas.



Categories: ensinamentos

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